Às vésperas dos Jogos de Tóquio, COI não se entende sobre regras para atletas trans no esporte; tema será destaque na AmoEsportesFair

Inaugurado nesta segunda-feira (16), Novo Estádio Olímpico de Tóquio receberá as competições de atletismo, futebol e as cerimônias de abertura e encerramento das Olimpíadas de Tóquio, em 2020.

Foto: Getty Images Sports

 

Ao longo de 2019, ano pré-olímpico, o Comitê Olímpico Internacional (COI) realizou diversas reuniões para atualizar a regulamentação sobre atletas transgênero no esporte de alto rendimento. O objetivo do órgão que organiza os Jogos Olímpicos era introduzir diretrizes mais rígidas para atletas trans, para garantir a competição justa entre todos os atletas, sem que haja discriminação com base em sua identidade e características sexuais, entre outras questões, antes das Olimpíadas de Tóquio, em 2020.

Entretanto, diante da complexidade da questão, o trabalho em conjunto do COI com especialistas de diversas áreas, que incluiu cientistas, médicos, juristas e especialistas em direitos humanos, ainda não alcançou uma abordagem universal.

De acordo com as diretrizes atuais, emitidas em 2015, atletas que fazem a transição de homens para mulheres podem competir na categoria feminina, desde que o nível de testosterona sejam mantidos abaixo de 10 nanomols por litro de sangue, por pelo menos um ano.

Mesmo sem um consenso por parte do COI e da comunidade médica e científica, várias federações esportivas têm se movimentado e criado regulamentos específicos para cada modalidade. A Federação Internacional de Atletismo (IAAF) anunciou recentemente uma redução na concentração de testosterona nas atletas transgênero, para até cinco nanomols/litro. Ainda segundo o texto, as atletas precisam necessariamente manter essa concentração por no mínimo 12 meses para a elegibilidade na categoria feminina do atletismo.

No Brasil, o caso mais emblemático de uma atleta trans no esporte de alto rendimento é representado por Tifanny Abreu, jogadora de vôlei que atua pelo Sesi Bauru na Superliga feminina, elite do vôlei nacional. Mesmo aprovada pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), sua participação destacada gerou controvérsia no meio esportivo e foi parar na Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados: três projetos de lei apreciados pela casa estabelecem o sexo biológico como único critério para definição do gênero em competições esportivas oficiais no país.

Meeting de Medicina Esportiva

O Meeting de Medicina Esportiva, organizado pela Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) em parceria com a Amo Esportes e o Club Athletico Paranaense, irá abordar profundamente o assunto, através de um seminário. A programação científica conta com a  apresentação dos aspectos hormonais relacionados ao atleta transgênero, a regulamentação atual da inclusão de atletas transgênero em competições esportivas e ainda a discussão sobre a equidade no esporte - sobretudo em disputas femininas - com a participação de atletas transgênero.

Inscreva-se já - O Meeting de Medicina Esportiva acontecerá simultaneamente aos encontros de Marketing e Gestão Esportiva, Fisioterapia Esportiva, Nutrição Esportiva, Direito Desportivo, Jornalismo Esportivo e Educação Física da #AmoEsportesFair2k20, principal evento esportivo do país e que será realizado em fevereiro de 2020 na Arena do Athletico Paranaense, em Curitiba. Serão mais de 3,5 mil profissionais presentes, se aperfeiçoando, interagindo e fazendo negócios. Cada congresso técnico terá capacidade para 500 inscritos. As inscrições estão abertas e acontecem no site https://amoesportesfair.com.br/.